sexta-feira, 17 de maio de 2013

Acho que compreendo o Major Tom

Post originalmente escrito por Guilherme Infante


"Here am I floating round my tin can far above the moon
Planet Earth is blue, and there's nothing I can do..."

Há alguns meses eu descobri o vlog do Chris Hadfield, um astronauta canadense que esteve comandando uma missão na ISS (International Space Station) e filmava curiosidades cotidianas da equipe fora da terra, respondia dúvidas de internautas e até trocava tweets com o eterno William "Kirk" Shatner.
Infelizmente, para nós, sua missão a bordo da ISS acabou no ultimo dia 14 de maio quando ele retornou à Terra, deixando como ultimo vídeo a sua versão da música Space Oddity do David Bowie.




A letra dessa música trata do astronauta Major Tom que, ao chegar o dia de retornar à Terra, opta por continuar em órbita contemplando o planeta, na sua imensidão azul e na equivalente escuridão do universos infinito ao seu redor. Um lindo suicídio. Talvez o único suicídio que eu tenha vontade de cometer.

Na voz de Hadfield, que realmente vivenciou essa experiência extraterrena, a música ganha mais sentido e força. A sua voz não profissional, a falta de gravidade reforçando a sutileza das notas e versos, o instrumental simples e as imagens abissais, calmas e rais tornam esse vídeo uma obra de arte ímpar para quem conseguir olhar através do obvio. Nas imagens ao fundo, é possível ver a terra se movendo e, ao mesmo tempo, inerte. Abaixo daquela atmosfera cheia de nuvens brancas e oceanos azuis, é difícil imaginar que há 7 bilhões de humanos brigando por espaço num ritmo extremamente agitado. Seria possível até presumir que ela está morta se não fosse um relance do vídeo que mostra, durante a noite, as luzes acesas das cidades.

Quando assisti ao vídeo, verdadeiramente me emocionei. Algumas epifanias começaram a processar paralelamente na minha cabeça e então, não conseguia mais pensar em nada. Ouvi essa música, sem exagero, umas dez vezes seguidas para conseguir me organizar e entender o que se passava na minha mente. Fui folhear O Legado das Estrelas e já separei o meu Bilhões e Bilhõespara reler.

Momentos como esse propiciam uma perspectiva diferente. Através dos olhos do astronauta e da música do roqueiro, entendemos a grandiosidade do nosso planeta e da inferioridade dos simples humanos. Se formos um pouco além e lembrarmos que o universo é infinito e que há estrelas milhões de vezes maiores que o sol, descobrimos que somos apenas poeria estelar envolvidas por um substantivo supervalorizado chamado vida. Quando cheguei nesse ponto de reflexão, me permiti sair de dentro da linha de raciocínio para lembrar que, até horas antes, estava extremamente preocupado com contas, problemas no trabalho e alguns assuntos sentimentais mal encerrados. Foi então que me senti bobo. Não defendo que devemos anarquizar ou deixar de nos importar com os acontecimentos mundanos, mas é sempre bom olhar para o céu e lembrar que isso tudo é extremamente insignificante perto da vastidão e complexidade do universo que nos acolhe. Talvez assim, passemos a descartar preocupações supérfluas e passemos a focar em assuntos mais relevantes.
Aos que nunca tiveram a honra de ler, aconselho que leiam um texto chamado Pálido Ponto Azul do Carl Sagan.

Por fim, mesmo sem sair da terra, acho que compreendo o Major Tom.
Quem compartilhar vai ganhar um fantástico abraço!!!
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